Dissertação

{pt_PT=Viagem e arquitetura: Caminhos de exercício espiritual. A Capela de Eduardo Souto Moura para o Pavilhão da Santa Sé na XVI Bienal de Arquitectura de Veneza} {} EVALUATED

{pt=Desde tempo milenares que a viagem tem sido uma oportunidade de descoberta, conhecimento e introspeção, podendo assumir uma dimensão espiritual, aproximando-se, neste caso, da peregrinação. Esta dissertação procura caracterizar estas duas vivências humanas, lendo-as como duas práticas de um exercício espiritual de transformação e transcendência. Considerando que os conceitos de caminho e paragem, fazer-se presente e orientação são característicos tanto da viagem e da peregrinação como da arquitetura, esta dissertação sustenta a hipótese desta última ser também um meio para o exercício espiritual. Para tal, analisa-se o significado dos diários de viagem no exercício da prática dos arquitetos e a forma como a promenade architecturale oferece configurações espaciais que suscitam viagens físicas, metafóricas e espirituais. O caso de estudo que sustenta esta hipótese é a participação da Santa Sé na Bienal de Arquitetura de Veneza, em 2018, por propor uma peregrinação por um conjunto de capelas no bosque da ilha de San Giorgio Maggiore. Cada arquitetura projetada foi entendida como espaço de paragem para a reflexão e o diálogo, pelos vários caminhos que cada visitante desenhava no jardim, num exercício espiritual. A capela de Eduardo Souto de Moura é destacada pela naturalidade com que pertencia àquele lugar, resultado do exercício do arquiteto reinterpretar uma composição referencial, indagando as formas, os volumes e os materiais, à luz das ideias de ruína e de limites murados, sintetizando o exercício da arquitetura como uma viagem espiritual., en=Throughout History, travelling has been an opportunity for discovery, knowledge and insight. In this sense, a spiritual dimension is involved, bringing together journey and pilgrimage concepts. This thesis aims at these two human experiences, interpreting them as forms of spiritual exercises for transcendence and transformation. Path, stop, being present and orientation concepts, essential journey and pilgrimage wise, can be found in architecture. The latter can thus be interpreted as space where one spiritually exercises. Henceforth, the thesis analyses the role of the architects’ travel journals in the exercise of their practice, and of the promenade architecturale concept in designing spatial configurations that engenders metaphorical, physical and spiritual journeys. Being presented as a pilgrimage through the woods of the San Giorgio Maggiore island, the participation of the Holy See in 2018’s Venice Biennale of Architecture serves as case study. Each chapel was there to be interpreted as a space to pause, reflect and converse, along the paths every one visitor created, in the course of a spiritual exercise. Within the Holy See Pavilion, Eduardo Souto de Moura’s design stood out by its naturalness. The design adjustment to the place ensues from a referential composition, which forms, volumes and materials were sought out under the scope of ruin and walled limits concepts. Eventually, it sums up the exercise of architecture as a spiritual journey.}
{pt=viagem, peregrinação, caminho, capela, Pavilhão da Santa Sé, Eduardo Souto de Moura, en=journey, pilgrimage, path, chapel, Holy See Pavilion, Eduardo Souto de Moura}

Outubro 22, 2020, 14:0

Orientação

ORIENTADOR

Bárbara dos Santos Coutinho

Departamento de Engenharia Civil, Arquitectura e Georrecursos (DECivil)

Professor Auxiliar Convidado